“Será que andaram juntos duas pessoas se não tiverem de acordo?”
Amós 3,3
Negros, brancos, índios e mestiços, na essência todos somos pessoas humanas. O Ser Cristão, não é somente gostar de ouvir a palavra de Jesus, mas assumir a causa da justiça e da paz. Defender a vida deve ser uma importante tarefa para todos nós.
A vocação maior de todo Cristão é AMAR, pois o amor nos faz compreender a entrega que Cristo fez de sua vida para redimir a humanidade inteira de seus pecados. O Pré-conceito racial e a intolerância religiosa, certamente não agrada o coração bondoso de Jesus. Como diz o profeta Amós 3,3: “andaram juntas duas pessoas se não tiverem de acordo?” essa pergunta perturba e intriga muitas pessoas, sobretudo quando se fala de um mundo melhor, e muitas vezes se pratica atos contra o negro e um puritanismo a cerca da questão religiosa.
Assumir a causa do negro é sobretudo assumir a nossa origem, se temos um Brasil cheio de riquezas culturais e materiais, se muitas vezes somos caracterizados como um povo acolhedor e ricos de belezas naturais, devemos aos nossos primeiros habitantes: os índios, mas com uma grande contribuição do negro africano que aqui chegou como escravo e muito trabalhou para o progresso desse país.
Sejamos ousados, e juntos vamos caminhar assumindo a causa de Cristo, que veio para que todos tivessem vida e vida em abundância, isso inclui o negro e sua religiosidade. Portanto, ouvindo o apelo de Jesus, que quer dar vida em abundância a todos, vamos dar as mãos e formar uma única roda, não a roda dos negros, dos brancos, dos índios e dos mestiços, mas sim a roda onde todos e todas, marchemos a favor da VIDA.
Este trabalho pretende ser uma leitura da função da cultura religiosa africana na formação do catolicismo popular brasileiro; neste sentido, vamos perceber que historicamente no Brasil escravista, teremos dois lugares onde o negro teve acesso à sociedade: o terreiro da casa grande e a senzala, lugares estes de onde influenciou e foi influenciado pelas culturas portuguesa e indígena.
Na senzala a situação era de não-gente, peça de produção. O negro não era Dodô de si, mas posse do seu senhor ou senhora.
Já no terreiro, percebemos a instalação de um novo modo de ser, conservação da cultura, fé, identidade, dos costumes estruturantes da vida, foi o lugar onde o negro se fez e sentiu-se gente. No terreiro refundava-se em terras brasileiras sua história, vida e costumes.
Com o ajuntamento de escravos de diferentes nações africanas numa mesma fazenda, o que impedia sua comunicação e possibilidades de insurreição, pois falavam de início línguas diferentes, o terreiro se sobressai como o lugar de sobrevivência das característicasde cada um em particular. Formava-se o povo da diáspora africana no Brasil.
Ainda hoje para descobris como ficou preservada a cultura afro no Brasil é só observar a estrutura e organização de uma cerimônia. No terreiro não é mais o pedreiro, a lavadeira, a empregada doméstica, o metalúrgico, não que estas profissões não tenham valor, muito pelo contrario são molas propulsoras no processo de produção, mas desvalorizadas numa sociedade que se preza por atitudes e estilos de trabalhos diferentes do braçal. Na cerimônia dentro do terreiro ao contrario, é um filho de Xangó, de ogum, de Oxalá, etc. é uma filha de Iansã, de Iemonjá, de Oxum, é a realeza africana resistindo à situação de opressão do povo negro. Quando se dá o transe “descida do Santo”, aí é que a beleza está na sua máxima expressão, émomento do encontro do filho com seu “santo” ancestral original, que agora vem se comunicar com ele, trazendo a bênção de Olorum: a paz, a harmonia, e a concordância, a cura de doenças, a resolução de problemas e etc.
Essa riqueza de detalhes percebidos na relação com os orixás ficou conservada dentro da cultura religiosa que se originou no encontro das culturas afro-indigenas e portuguesas no Brasil. Por exemplo, observando a celebração num terreiro, por momentos tem se a impressão de diversas linguagens culturais convivendo de formas harmoniosas, é como que uma reinstalação dos mitos numa nova configuração, mais precisamente, no culto que se presta aos orixás de forma conjunta, aspectos não típicos na sua origem. Olhando por este lado, uma pergunta fica no ar: Como esta realidade cultural foi decodificada e vivida num ambiente cultural diferente que é o cristianismo?
Em que lugares da cultura católica no país colonizado houve oportunidade, acolhida de forma que os descendentes de escravos não se sentissem totalmente abandonados, sem espaço de culto ou religião, e que então, fizesse uma revolução mais violenta contra a situação e voltasse a suas raízes primeiras.
Estas questões se colocam porque, ao tratar do escravo africano, não estamos falando de uma situação de passividade, pois é um povo guerreiro e religioso que não se contenta em estar onde está, se não encontra ali o se pedaço de chão, onde possa bater os pés, cantar e dançar, chamando seus “santos” para o protegerem. Como o africano se tornou católico no Brasil?
Abre-se esta pergunta a necessidade de um aprofundamento da formação cristã, (católica), na colônia, como também um estudo da conservação de elementos culturais afros que “beiram ao exagero”. Como dançar dentro da Igreja, pular, levantar os braços. A população de origem negra conserva e transmite os costumes da religião que privilegia, sobretudo o corpo, porque de tão sagrado que é, ao ser devidamente preparado torna-se por excelência o lugar onde o Orixá irá se manifestar. O corpo é o altar e os “santos” até brigam.
Como então ver isso acontecendo numa Igreja marcada pela negação do corpo enquanto dimensão de prazer?
É na cultura católica popular que vamos perceber mais nitidamente este diálogo, que se dá na ordem de um viver católico tendo por base o pensamento e sentimentos voltados Às matas, cachoeiras, tempestades, ao movimento criador, à festas, à vida. Viver o Axé. Perceber “Deus na Roda com a gente”.
Na contemporaneidade vivemos intensamente questionando-nos acerca do que é certo ou errado. Mas, isso não é mérito do homem contemporâneo e sim da raça humana, afinal somos dotados de inteligência, sem nos questionarmos acerca das coisas jamais evoluiríamos e viveríamos como no tempo das cavernas. Certamente o trabalho infantil é um destes temas que intriga o pensamento do homem atual e suscita diversos conceitos e normas.
“Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus” (Ecle. 3,1). Aprender ter responsabilidade e disciplina é algo fundamental para que um ser humano (criança) cresça com o intuito de uma vida digna e mais humana. A exploração do trabalho infantil não apresenta ao menor uma forma digna e humana de viver. Trabalhar nas carvoarias, pedreiras, madeireiras ou até mesmo a pior de todas as atividades, serem pedintes que compromete o psicológico e o emocional, uma vez que não ensina valores de comportamento morais e muito menos uma forma descente para se viver.
Partindo do pré-suposto de ajudar os pais no sustento da casa, o menor deve aprender a conviver com seus irmãos e ter certo carinho e cuidado consigo e com seus irmãos. Este tipo de trabalho em casa já ajudará bastante para que o pai ou a mãe, ou ainda um terceira pessoaque possa cuidar da criança na ausência ou óbito dos pais, possam buscar na rua um trabalho digno para o sustento da casa.
No entanto, a criança deve estar na escola, ter lazer e pela fragilidade da idade um bom descanso. Saber administrar o tempo será um desafio que esse menor enfrentará. Quando se encontra sobrecarregado com um trabalho externo, perde-se o sentido de ser criança, não que seja contra um adolescente ter uma atividade de no maximo 4h/dia, ajudando seus pais em uma lanchoneteou na loja da família, ou até mesmo fazendo farinha. Mas que o mesmo aprenda a administrar seu tempo e valorize a fase de vida em que está inserido, onde os estudos devem ser o foco principal para que em um futuro não muito longe, possa ter uma profissão e dar sustento a sua própria família.
O que muitas vezes acontece são pais que, em vez de ter seus filhos como apenas um suporte para o sustento familiar, mas na maioria das vezes os tem como o único sustento. Podemos perceber que, em grande parte desses casos, os pais são pessoas altamente autoritárias e não buscam desenvolver uma atividade, pondo toda responsabilidade nos menores e tirando sua forma infantil de viver e de aprender o verdadeiro sentido da vida.
"Precisamos de Santos sem véu ou batina. Precisamos de Santos de calças jeans e tênis. Precisamos de Santos que vão cinema, ouvem música e passeiam com os amigos. Precisamos de Santos que coloquem Deus em primeiro lugar, mas que se "lascam" na faculdade. Precisamos de Santos que tenham tempo todo dia para rezar e que saibam namorar na pureza e castidade, ou que consagrem sua castidade. Precisamos de Santos modernos, Santos do século XXI com uma espiritualidade inserida em nosso tempo. Precisamos de Santos comprometidos com os pobres e as necessárias mudanças sociais. Precisamos de Santos que vivam no mundo, se santifiquem no mundo, que não tenham medo de viver no mundo. Precisamos de Santos que bebam Coca-Cola e comam hot dog, que usem jeans, que sejam internautas, que escutem discman. Precisamos de Santos que amem a Eucaristia e que não tenham vergonha de tomar um refri ou comer pizza no fim-de-semana com os amigos. Precisamos de Santos!" Sancti Patris Benedicti
... hoje vos nasceu na cidade de Davi o Salvador, que é o Cristo Senhor.”
Lc. 2,11.
Esta grandiosa noticia do nascimento do Menino Jesus tem-se propagado pelo mundo inteiro durante muitos séculos, e é ela no dia 25 de dezembro ouviremos, quando celebramos o Natal. Ainda hoje, embora muitos séculos muitos ainda não conhecem Jesus. O natal de Jesus acaba perdendo seu sentido próprio e ganha cada vez mais um sentido consumista e puramente materialista.
Para os cristãos é celebrado o nascimento de seu Messias, o ungido (CRISTO) aquele que veio para redimir a humanidade de seus pecados.
Como toda grande festa é necessário uma preparação e organização, esta preparação é o tempo do Advento, um tempo de espera e reflexão para que cada um prepare a sua casa para receber o Salvador. Todos sabem que para uma grande festa tudo tem que estar em seu devido lugar, o Advento nos ajuda a organizar nossa vida para este grande nascimento, é tempo de perdão, de caridade, de reconhecer as próprias fragilidades e convidar o menino Deus a nascer dentro de nós.
Convidar Jesus para nascer e morar em nossa casa é celebrar o verdadeiro sentido do natal. Por isso preparemo-nos muito bem para receber o Salvador. E tenhamos todos um feliz e abençoado natal.
“Ele faz nascer o sol tanto sobre maus como sobre bons, e faz chover sobre os justos e os injustos” (Mt. 5,45).
Muito me alegro e agradeço muito a Deus, por poder postular a vida religiosa na espiritualidade afonsiana, cuja conhecemos carinhosamente como “Missionários Redentoristas”. Postular a vida Redentorista, é pedir para ser um homem: “Forte na fé, alegre na esperança, fervoroso na caridade, inflamado no zelo, humilde e sempre dado à oração” cf. (constituições e estatutos C.Ss.R – 20). Todo homem que faz a obra de Deus com negligência é um anátema.
Eu quero ser um Missionário Redentorista, e antes de qualquer coisa buscar na pessoa de Jesus o modelo de redenção. Viver a vida doada pela copiosa redenção é ser cada vez mais humano e humanizador. Somos convidados a sermos portadores da mensagem libertadora, redentora e salvífica de Jesus, para isso necessariamente temos que nos conscientizarmos desta mensagem e primeiramente adota-lá em nossas vidas. Viver cada dia como se fosse o ultimo de nossa vida terrena, nos ensinará a sermos misericordiosos com nós mesmo e com os outros.
Ser uma pessoa simplesmente humana é para mim uma forma de buscar a santificação. Por isso minha vida é uma busca constante, a exemplo de Jesus o Bom Pastor, ser uma pessoa mais humana e em conseqüência mais divina. Deus, como Pai, é justo, mas, é também rico em misericórdia, por isso ajuda-nos a cada vez mais sermos perseverantes, na busca da nossa humanização pessoal.
Como um futuro Missionário Redentorista, quero poder exercer o ministério sacerdotal, dotado de misericórdia e observando sempre os mais necessitados da palavra redentora de Jesus. Abraçar e propagar a causa redentora de Jesus, será uma meta que a cada dia lutarei para alcançar, sei que não será fácil, mas, sei também que não é impossível, por isso espero contar com a ajuda de familiares, amigos e futuros confrades.
A realidade leva-nos a refletir coisas que supostamente deveriam ser extintas do padrão de vida humana: A desigualdade social, a exclusão dos mais empobrecidos e abandonados é muito presente nos dias atuais; a falta de compromisso, o desrespeito com a vida e o não cumprimento da lei geram este tipo de comportamento. Hoje, não podemos fechar os olhos só pelo fato de não querermos ver e assumir um compromisso com a sociedade. Como seres humanos dotados de inteligência e sabedoria devemos adquirir uma busca pela nossa humanização pessoal, tendo em vista que humanizados seremos cada vez mais aptos a dar oportunidade de uma vida melhor para nós e para os outros. A desvalorização do homem e da mulher, está entre nós, e não a conhecemos, não pelo fato de que a mesma não exista, mas por não querermos ver com os olhos o que a razão claramente nos mostra. Contudo podemos ser colaboradores de um mundo mais humanizado e portadores da mensagem que valoriza a vida. Não tenhamos medo do desafio de conviver com a diferença, e sim façamos dela um meio de sempre proporcionar ao outro uma vida mais digna e humana.